Na terceira idade, é comum o uso de múltiplos medicamentos para tratar condições crônicas como hipertensão, diabetes e osteoporose. No entanto, podem existir efeitos adversos graves devido a interações entre remédios e alimentos. Essas interações medicamentosas podem reduzir a eficácia de um tratamento, intensificar efeitos colaterais ou até causar intoxicações.

Neste artigo, vamos entender como nutrientes, suplementos e até hábitos alimentares cotidianos interferem na ação de medicamentos em idosos. 

O que são interações medicamentosas? 

A interação medicamentosa ocorre quando uma substância, como um alimento, suplemento ou outro remédio, altera o efeito de um fármaco no organismo. Esse fenômeno é especialmente crítico em idosos, devido a várias razões.

Nesse sentido, o metabolismo mais lento nos idosos desempenha um papel significativo. À medida que envelhecemos, o funcionamento do fígado e dos rins, órgãos responsáveis pelo processamento e eliminação dos medicamentos, torna-se menos eficiente. 

Isso significa que os medicamentos podem permanecer no organismo por períodos mais longos, aumentando o risco de efeitos colaterais e interações adversas.

Além disso, a polifarmácia, que é o uso de múltiplos medicamentos simultaneamente, é bastante comum entre os idosos. Esse uso simultâneo de vários medicamentos aumenta a chance de interações medicamentosas, uma vez que diferentes fármacos podem interferir uns com os outros, potencializando ou reduzindo seus efeitos.

Um exemplo clássico de interação medicamentosa envolve os anticoagulantes, como a varfarina. Esses medicamentos são utilizados para prevenir a formação de coágulos sanguíneos, mas sua eficácia pode ser comprometida quando consumidos junto com alimentos ricos em vitamina K, como espinafre e couve. 

A vitamina K é essencial para a coagulação sanguínea, e seu consumo em grandes quantidades pode diminuir a eficácia da varfarina, aumentando o risco de formação de coágulos.

Portanto, é fundamental que os idosos, seus cuidadores e profissionais de saúde estejam atentos às possíveis interações medicamentosas e adotem medidas para minimizá-las, garantindo assim a segurança e a eficácia dos tratamentos.

Impacto de alimentos na absorção de medicamentos em idosos 

Alguns alimentos podem modificar a absorção de fármacos no organismo, interferindo em sua eficácia. Por exemplo, o consumo de leite e derivados pode afetar a absorção de antibióticos como tetraciclinas e quinolonas, reduzindo sua eficácia. Isso ocorre porque o cálcio presente nesses alimentos pode se ligar ao medicamento, dificultando sua passagem pelo trato gastrointestinal.

Outro exemplo é o suco de grapefruit, que pode aumentar a toxicidade de medicamentos como estatinas e anti-hipertensivos. Este efeito se dá pela inibição enzimática que o suco provoca, aumentando a concentração do medicamento no sangue e, consequentemente, seus efeitos adversos.

As fibras presentes em alimentos como aveia e farelo também podem retardar a absorção de medicamentos, como a levotiroxina e alguns antidepressivos. Isso acontece porque as fibras podem formar um gel no intestino, dificultando a passagem dos medicamentos e retardando sua absorção.

Nesse sentido, medicamentos como a levotiroxina devem ser tomados em jejum, cerca de 30 minutos antes do café da manhã, para garantir sua absorção adequada e eficácia.

Compreender essas interações é fundamental para garantir o sucesso do tratamento e evitar possíveis complicações.

Interações entre suplementos nutricionais e medicamentos em idosos 

Suplementos populares podem ser perigosos quando combinados com certos medicamentos. Por exemplo, a interação entre ferro e antibióticos, como a tetraciclina, pode ser problemática, pois o ferro bloqueia a ação do antibiótico, reduzindo sua eficácia no combate a infecções. 

Da mesma forma, a combinação de cálcio e bifosfonatos, como o alendronato, pode ser prejudicial, uma vez que o cálcio impede a absorção do medicamento utilizado no tratamento da osteoporose.

Além disso, a vitamina D, quando consumida junto com diuréticos tiazídicos, pode aumentar o risco de hipercalcemia, que é o excesso de cálcio no sangue. Isso pode levar a complicações sérias, como problemas renais e cardíacos.

Portanto, é fundamental ter acompanhamento profissional na prescrição e uso de medicamentos e sua interação com a dieta do paciente.

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O papel da dieta na gerência de efeitos colaterais de medicamentos 

A dieta também pode ser uma aliada importante na minimização dos efeitos adversos causados por tratamentos médicos. Para pacientes que enfrentam náuseas devido à quimioterapia, o consumo de gengibre e alimentos secos, como torradas, pode ajudar a controlar esse sintoma incômodo. 

No caso da diarreia causada pelo uso de antibióticos, os probióticos presentes em alimentos como kefir e iogurte natural são eficazes na restauração da flora intestinal, promovendo um equilíbrio saudável no trato digestivo. 

Pacientes que sofrem de boca seca devido ao uso de antidepressivos podem encontrar alívio no consumo de alimentos úmidos, como sopas e frutas suculentas, que ajudam a aliviar o desconforto.

É importante estar atento a idosos que utilizam diuréticos, como a furosemida. Esses pacientes devem consumir alimentos ricos em potássio, como bananas e batatas, para evitar a hipocalemia, que é a baixa concentração de potássio no sangue, uma condição que pode levar a fraqueza muscular e outros problemas de saúde.

Adotar essas práticas alimentares pode contribuir significativamente para o bem-estar dos pacientes, ajudando a reduzir os efeitos adversos dos medicamentos e tratamentos.

Efeitos do álcool em conjunto com medicamentos na terceira idade 

O consumo de álcool pode potencializar os riscos associados a diversos medicamentos. Por exemplo, o uso de benzodiazepínicos, como o diazepam, em combinação com álcool, aumenta a sedação, elevando o risco de quedas e acidentes. 

Além disso, o paracetamol, quando consumido junto com álcool, pode causar danos ao fígado, mesmo em doses consideradas seguras. Isso ocorre porque ambos são metabolizados pelo fígado, sobrecarregando o órgão e aumentando o risco de toxicidade hepática.

No caso dos anti-hipertensivos, o consumo de álcool pode causar a queda da pressão arterial ao levantar, resultando em tonturas e aumentos no risco de quedas.

Isso evidencia a necessidade de conscientização sobre os perigos dessas interações e a importância de orientações médicas adequadas para evitar complicações graves.

Conclusão 

Interações entre alimentos e medicamentos na terceira idade são uma questão de saúde pública. Se você quer se especializar em farmacologia clínica e nutrição geriátrica é essencial para prevenir complicações e personalizar tratamentos. 

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